O vocábulo grego Théatron estabelece o lugar físico do espectador, “lugar onde se vê”. Entretanto o teatro também é o lugar onde acontece o drama frente aos espectadores, complemento real e imaginário que acontece no local de representação.
A origem do teatro refere-se às primeiras sociedades primitivas que acreditavam nas danças imitativas como favoráveis aos poderes sobrenaturais para o controle dos fatos indispensáveis para a sobrevivência.
Em seu desenvolvimento, o teatro passa a representar lendas referentes aos deuses e heróis.
O teatro apareceu na Grécia Antiga, no séc. IV a.C., em decorrência dos festivais anuais em consagração a Dionísio, o deus do vinho e da alegria.
Toda reflexão que tenha o drama como objeto precisa se apoiar numa tríade teatral: quem vê, o que se vê, e o imaginado. O teatro é um fenômeno que existe nos espaços do presente e do imaginário, e nos tempos individuais e coletivos que se formam neste espaço.
O teatro é uma arte em que um ator, ou conjunto de atores, interpreta uma história ou atividades, com auxílio de dramaturgos, diretores e técnicos, que têm como objetivo apresentar uma situação e despertar sentimentos no público.
A implantação do teatro no Brasil ocorreu no século XVI, tendo como motivo a propagação da fé religiosa, empenho dos jesuítas em catequizar os índios para o catolicismo. Dentre uns poucos autores, destacou-se o padre José de Anchieta, que escreveu alguns autos (antiga composição teatral) que visavam a catequização dos indígenas, bem como a integração entre portugueses, índios e espanhóis. Exemplo disso é o Auto de São Lourenço, escrito em tupi-guarani, português e espanhol.
Um hiato de dois séculos separa a atividade teatral jesuítica da continuidade e desenvolvimento do teatro no Brasil. Isso porque, durante os séculos XVII e XVIII, o país esteve envolvido com seu processo de colonização (enquanto colônia de Portugal) e em batalhas de defesa do território colonial. Foi a transferência da corte portuguesa para o Rio de Janeiro, em 1808, que trouxe inegável progresso para o teatro, consolidado pela Independência, em 1822.
Quando tudo parecia ir bem com o teatro brasileiro, a ditadura militar veio impor a censura prévia a autores e encenadores, levando o teatro a um retrocesso produtivo, mas não criativo. Prova disso é que nunca houve tantos dramaturgos atuando simultaneamente.
Com o fim do regime militar, no início da década de 1980, o teatro tentou recobrar seus rumos e estabelecer novas diretrizes. Surgiram grupos e movimentos de estímulo a uma nova dramaturgia.
Em cidades pequenas como Lagoa Formosa, as apresentações de teatro são difíceis de se manter, pelo alto grau de trabalho ( são muitos ensaios, cenário e vestuário dispendiosos ) e pouco reconhecimento do público. O teatro em nossa cidade conta atualmente apenas com as apresentações do “GRUPO PAI” – grupo de jovens que realiza anualmente, através da sua equipe de teatro, uma apresentação voltada para a população local. O primeiro espetáculo foi em 1975 com a peça “A Verdade”. No decorrer dos anos foram apresentadas as mais variadas peças, quase todas do gênero comédia, de autores como Martins Pena ( Juiz de Paz na Roça, As Casadas Solteiras ), Gastão Tajeiro ( Minha sogra é da polícia ), Ariano Suassuna – um dos mais importantes dramaturgos brasileiros e defensor militante da nossa cultura ( Auto da Compadecida, A Pedra do Reino, O Casamento Suspeitoso, O Santo e a Porca ) e do autor lagoense Célio Moreira da Fonseca ( Sampatia e Raizada, Um golpe à brasileira, E por falar em embrulhada, O Fantasma Gumercino, O Aprendiz do Dr. Noc ).
Este ano, o GRUPO PAI presenteia os lagoenses com a reapresentação da peça “O Santo e a Porca” de Ariano Suassuna, que estará em cartaz nos dias 21, 22 e 23 de novembro, às 20:00 hs no Salão Paroquial de Lagoa Formosa.
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