Já há um bom tempo que um fato preocupante ronda as escolas de um modo geral. Não sei se você também percebeu que um grande número de alunos, não só do ensino básico e médio, mas até muitos do ensino superior, não têm um domínio mínimo da matemática, ou seja, um conhecimento necessário ao cotidiano e indispensável para o mundo do trabalho. Em contato, esporadicamente, com alunos do ensino médio durante alguma atividade que exija cálculo, raciocínio ou um simples conhecimento da tabuada, vejo que “nossos jovens” estão infinitamente aquém de onde deveriam estar. Se não usam a calculadora a todo momento, têm que contar nos dedos para fazer uma simples operação de ( 7 X 8 ). Meu amigo… é mesmo preocupante!
A catástrofe não é exclusividade da nossa querida Lagoa Formosa. A reportagem “Analfabetos em Números” (Revista Cláudia – nº 10 – Ano 47 – Outubro 2008), feita por Paulo de Camargo, relata que o último teste aplicado pelo Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb) mostrou que mais de 80% dos alunos do ensino básico e médio, não atingiram a pontuação mínima adequada. E que o Brasil, no principal exame internacional de avaliação dos estudantes, o Pisa, ficou na lanterna (em matemática/2003) e em 54º lugar, entre 57 países, em 2006. O problema é mais grave no ensino público, mas não é exclusivo deste.
Três grandes fatores levam a situação apresentar-se dessa maneira. Primeiro as deficiências estruturais do ensino brasileiro em geral – professores desvalorizados, mal formados e sem condições adequadas de trabalho; diferente de outros grandes centros de formação. Em segundo lugar, os parâmetros direcionados aos professores para um norteamento pedagógico são bons, mas chegam às salas de aula, na prática, muito diferentes da sua teoria. E por último, um preconceito difundido socialmente de que matemática é só para “iluminados” – isso causa grande ansiedade e uma baixa auto-estima nos alunos.
Países como Finlândia, China e Espanha atingiram excelentes níveis de desenvolvimento sócio-econômico pela prioridade que dão à educação. A Coréia do Sul, arrasada por uma guerra civil em meados do século passado, conseguiu um fantástico processo de desenvolvimento, também baseado na educação. O Brasil já está mudando seus conceitos com relação à educação, melhorou alguns pontos no Ideb (mas ainda falta muito para atingir o ideal) e procura melhorar a qualidade dos educadores. Mas para um país em que a preocupação com a educação começou com um atraso de 100 anos em relação a outros países latino-americanos, ainda há um caminho muito longo a percorrer.
Como cidadãos brasileiros, talvez poderíamos dar nossa contribuição para a educação, no que diz respeito aos “nossos” estudantes lagoenses. Não vamos esperar que as mudanças feitas pelos outros cheguem até nós, mas sim que as mudanças realizadas aqui cheguem aos outros. Um bom começo seria começar a “tomar a tabuada” dos alunos.
R. Vieira
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